Orago: Nossa Senhora da Salvação
Festa anual: 6 a 18 de Agosto - Procissão a 15 de Agosto
A Igreja de Nossa Senhora da Salvação ergue-se no centro da povoação, na zona antiga da vila, em amplo adro calcetado.
Após a reconquista da vila por D. Afonso Henriques, a Ordem de Santiago edificou ou reconstruiu a igreja, então pertença do padroado real e doada ao prior do Convento de São Vicente de Fora.
Já no século XIII, D. Sancho I doou-a à Ordem de Santiago, ficando integrada no bispado de Lisboa com as igrejas de Óbidos.
No século XVI, D. Manuel terá mandado reconstruir a igreja (bastante danificada por terramotos), na sequência da sua estada em Arruda, fugindo da peste. Essa recuperação viria a decorrer entre 1525 e 1531, já no reinado de D. João III. Por desejo de D. Manuel e em Acção de Graças, a invocação passou de Santa Maria de Arruda para Nossa Senhora da Salvação, celebrando-se festejos em sua honra a 15 de Agosto, tradição que se tem mantido até aos nossos dias.
Com base em diversos estudos que descrevem a imagem de Nossa Senhora da Salvação, julga-se que a imagem actualmente venerada seja anterior ao Século XVI, tendo sido objecto de embelezamento durante as obras de reconstrução da igreja, ordenadas por D. Manuel. De cinco palmos e meio de altura, rematada por elegante coroa de prata, a imagem da Virgem com o Menino, tem sido objecto de muita veneração ao longo dos tempos. Segundo a tradição “António de Sande e Castro, natural de Arruda, quando partiu para a Índia, para onde fora nomeado governador, tão devoto era de Nossa Senhora da Salvação, que levou clandestinamente consigo uma das mãos da sagrada imagem, revelando assim a sua profunda devoção”.
A igreja, de planta longitudinal de influência mendicante, divide-se em três naves separadas por bem proporcionadas arcarias. A capela-mor apresenta um imponente retábulo de talha dourada barroca, rodeando a imagem de Nossa Senhora da Salvação. Observam-se ainda seis apreciáveis pinturas quinhentistas que enobrecem as paredes laterais sobre azulejos do século XVIII.
Do vasto conjunto de azulejaria desta igreja, refiram-se os azulejos policromos do tipo ponta de diamante do século XVII e outros setecentistas azuis e brancos que revestem as paredes, inserindo-se neles painéis com figuras de santos. Merecem especial atenção o de São Cristóvão e o de São Jorge.
Abre para a nave do evangelho uma capela que foi dedicada a São Francisco de Assis e pertenceu à Ordem Terceira Franciscana, tendo sido mais tarde, feita capela do Santíssimo Sacramento. Nesta capela, pode ser também apreciado um retábulo de talha dourada e verde. Ornam o sacrário um conjunto de pinturas seiscentistas. As paredes retratam momentos da vida de São Francisco em painéis de azulejos policromos setecentistas.
No exterior da igreja eleva-se torre sineira quinhentista rematada por coruchéu. A fachada ostenta também um belo portal manuelino, ladeado por pilastras com imagens em alto-relevo (duas figuras humanas). A decoração baseia-se em elementos ornamentais próprios da arquitectura religiosa manuelina, inspirados em gravuras, na arte popular e decorações efémeras.
Fontes bibliográficas:
As Mais Belas Igrejas de Portugal, Lisboa, Verbo